Outro dia fui a uma palestra sobre como participar de uma feira de negócios. Apesar de estar nesse mercado há algum tempo, achei importante saber o que as pessoas dizem sobre o assunto. O momento é excelente para o setor; vemos notícias sobre feiras quase diariamente. Começaram a surgir cursos sobre eventos e as empresas têm procurado por especialistas no assunto para reforçar suas áreas de marketing. Eu estava curiosa em saber como os profissionais do futuro estão sendo preparados para atuar nesse segmento.
A palestra foi meio óbvia. Na verdade foi um evento para promover determinado curso, mas nem é isso o que importa. O que percebi é que ainda existe um grande corporativismo no setor. O palestrante, promotor de feiras, lá pelas tantas, defendeu o modelo atual praticado pelas promotoras tradicionais. Para mim é uma grande contradição: será que se falaria tanto em profissionalização, criaria-se cursos, se esse modelo fosse realmente eficiente? Colocar na cabeça de alunos que a tradição da promotora, a divulgação nas principais mídias do setor e os dados da última edição são fatores determinantes para participar de uma exposição, é uma forma de transferir o medo do novo que assombra os coronéis das feiras para os jovens profissionais de eventos.
Vejam: as revistas especializadas dependem muito das feiras para aumentar sua base de anunciantes e leitores; logo, não são eles os principais responsáveis pela visitação. Quem frequenta feiras deve ficar estarrecido com a ausência de importantes players em alguns eventos tradicionais, tanto expondo como visitando. Muitos dados divulgados por aí não se sustentam perante uma matemática básica. É bom lembrar que, em marketing, nenhuma ação possui garantia de retorno. Para basear a decisão em estatísticas, a fonte dos dados precisa ser correta. Então, o que é importante para entrar em uma feira?
A resposta é: a visitação. Como a promotora pretende atrair o comprador? O que essa feira tem de diferente para fazer um profissional ocupado pegar trânsito e ir até o pavilhão? Qual a importância da feira para o setor em que atua? Os profissionais por trás do evento sabem promovê-lo? Estão antenados nos novos hábitos e necessidades dos visitantes? Aliás, eles sabem quem é o visitante ideal? E acima de tudo: existe alguma opção com melhor relação custo-benefício para atingir os objetivos no mesmo prazo?
A base de todas as ações é o planejamento. Porém, oportunidades não programadas podem surgir a qualquer momento. É preciso ter coragem para não perdê-las.
Realmente a tradição da promotora e os dados da última edição não querem dizer nada. Se a empresa tem tradição, mas está sempre inovando, ok, mas normalmente as promotoras brasileiras tratam feiras da mesma maneira que tratava o Sr. Alcântara Machado em sua primeira feira brasileira!!!
E os números então? Tendo trabalhado com isso em uma promotora tradicional, sei muito bem que eles são aumentados todos os anos.
As NOVAS questões que o expositor do século XXI deve fazer são essas mesmo do seu penúltimo parágrafo, Jerusa.
Parabéns pelo texto!
Por: Andrea Nunes em 25/03/2010
às 10:49
Ótimo trabalho. Ótima profissional.
Por: Maycon Magalhães em 12/04/2010
às 16:01