Publicado por: Marcio Ramos | 26/02/2010

Segmentação e exclusividade

No meu último post comentei um pouco sobre a fidelização que alguns clubes noturnos conseguem desenvolver junto a seus clientes. Através de alguns exemplos que coletei e de vivências pessoais que compartilhei, lembrei como muito dessa relação se baseia na experiência ofertada: identificação e alinhamento com os desejos do público.

Hoje gostaria de falar de outro ponto relevante nessa relação entre cliente e clube, tratando mais especificamente de segmentação. Penso que todo negócio oriundo de um planejamento estratégico tem definições claras de qual target deseja atingir, porém o uso de táticas personalizadas para alcançar esse objetivo se mostra cada vez mais importante em um mercado bastante competitivo e volátil. Para melhor exemplificar essa situação no universo das baladas, acho válido citar um exemplo atual que encontrei, o recém concebido Lions Nightclub.

Apresentado ao público essa semana, o clube é projeto de um grupo de empresários que traz na bagagem experiência em pistas paulistanas como Vegas e Clash. Bastante mencionada na mídia especializada, notei que a inauguração da casa recebeu resenhas em diversos veículos. Em boa parte desses textos, como no caso daquele publicado na Veja São Paulo, percebi que o destaque do conteúdo ficava com o currículo dos donos e o investimento feito no negócio. Apenas em uma entrevista publicada aqui vi maiores detalhes a respeito do ponto sobre o qual me interesso em discorrer.

Ao abrir suas portas, o projeto trouxe como um de seus objetivos resgatar o conceito de clubes reservados a sócios (daí a referência presente no seu nome, a tradicional instituição de origem americana). Ainda que não restrinja completamente o acesso de outsiders, a idéia dos gestores é que o espaço institucionalize a segmentação da clientela. Para tanto, escolheram 250 convidados VIP, pinçados de grupos sociais diversos. Além de entrar sem pagar, esses eleitos têm poder multiplicador, contando com a liberdade de a cada noite levar quatro acompanhantes, também isentos do salgado preço de entrada.

Na foto, os sócios Facundo Guerra, Cacá Ribeiro e Arruda Botelho

(imagem: reprodução)

Se em tese essa seleção cria um grupo heterogêneo composto por playboys, celebridades, gays e modernos, no final ela resulta em um local para encontrar apenas “quem interessa”. Renova-se assim, a forma de adjetivar a diversão: eficiente, prática, focada. No campo profissional já há tempos é valorizada essa otimização de tempo e maximização de resultados. Agora, diante de uma balada como o Lions, talvez caiba traçar um paralelo a essa postura, vendo a segmentação extrema do clube como uma forma de extrapolar essa tendência para a vida pessoal dos freqüentadores.

Possivelmente, para o grupo identificado como público alvo do empreendimento, o destaque da festa reside na presença de rostos pertencentes a um mesmo meio, agrupados em um espaço exclusivo. Ao mesmo tempo em que esse sistema de castas soa incomum (e também incômodo) quando falamos dos clientes de uma balada, para os empreendedores essa estratégia de nicho tem como base objetivos nada raros e sempre em alta na estruturação de um novo negócio: atender a uma demanda pouco explorada e crescer gerando lucratividade.

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Responses

  1. Hummm… não sei porque que mas senti um climas de castas no ar…

  2. Oi Jerusa, concordo totalmente com você. Inclusive, relendo meu texto senti que o último parágrafo não deixava isso tão claro quanto gostaria, por isso fiz alguns ajustes.


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