Publicado por: Marcio Ramos | 05/03/2010

Percepções de mercado, cenários e mudanças

(imagem: reprodução)

Transformação. Realidade que nos cerca por todos os lados. Às vezes presente em altos e baixos da vida profissional, outras horas em reviravoltas nada incomuns no campo pessoal, cotidianamente no volume de informações que nos bombardeia, diariamente na sociedade onde estamos inseridos. Em um ano mudanças macro-econômicas podem fazer maus negócios virarem minas de ouro enquanto novos lançamentos seqüencialmente fazem com que produtos recém comprados se tornem objetos ultrapassados. Estilos musicais rapidamente soam datados, da mesma forma que filmes premiados hoje são esquecidos amanhã. A forma de consumir muda, e faz com que os nossos novos hábitos transformem profundamente o mercado.

Em entrevista publicada na revista Veja de 17 de Fevereiro, o escritor pop Nick Hornby fala um pouco sobre o impacto negativo dessa realidade no terreno da produção cultural. Autor de bons livros que viraram filmes (Um Grande Garoto, Alta Fidelidade), ele discorre sobre sua impressão de que talvez em dez anos muito do que conhecemos como arte não seja mais resultado de ofício rentável. Com textos, filmes e músicas circulando irrestritamente por programas P2P na internet, restaria aos artistas viver de palestras, shows ou espetáculos. Seguindo a linha de pensamento apresentada por ele, poderíamos inclusive minimizar os efeitos de iniciativas inovadoras como a da banda Radiohead. Ao produzir seu último álbum sem o suporte de uma gravadora e disponibilizá-lo em sua página oficial, o grupo cortou intermediários e lucrou, mesmo dando aos fãs a possibilidade de pagar o quanto quisessem pelos arquivos (inclusive nada). Ainda que bem sucedido, um plano assim seria opção restrita a músicos estabelecidos e com maior independência financeira.

Essa perspectiva inicialmente soa pessimista, porém cabe ser ponderado e não tomá-la como verdade absoluta. Antes da readequação a transformação gera reação. Um cenário modificado possibilita uma grande gama de novas posturas, estruturadas em diferentes formatos. Assim, para avaliar as oportunidades do novo consumo cultural sob a visão de negócio, cabem termos como exemplo não apenas a opinião de Hornby ou os resultados de um projeto alternativo. É valido avaliar os passos de um artista que tem o lado empresarial e gerencial bastante desenvolvido, como a Madonna. Surgida nos tempos em que as vendagens de vinis eram parâmetros de sucesso, a cantora manteve como pilar claro em sua carreira a orientação para o mercado. Há pouco mais de um ano, trocou o longo contrato com uma gravadora tradicional (Warner Music) por outro com empresa de eventos focada em grandes espetáculos (Live Nation), transformando seus novos álbuns em mero suporte para turnês que rodam o mundo. Atenta ao crescimento de novas mídias, ela tem lucrado com o pré-lançamento de faixas para clientes de operadoras de telefonia móvel, e essa semana disponibilizou para seus seguidores um aplicativo exclusivo para iPhone.

Talvez para os olhos de Nick Hornby o copo pareça meio vazio, mas para Madonna ele continua inteiramente cheio. Extrapolando o cenário do meio artístico para uma realidade mais ampla, o paralelo segue pertinente, pois tal qual em uma análise SWOT, ameaças podem esconder oportunidades. Ao mesmo tempo em que meio e formato sofrem intensas transformações, as conclusões extraídas deles também mudam rapidamente dependendo do ponto de vista adotado. Uma compreensão acertada e rápida dessa realidade em movimento se mostra peça chave na capacidade de readequação e definição das premissas que embasam novas decisões estratégicas.

Obs: Hoje as baladas ficaram um pouco de lado para que eu desse um olhar pessoal sobre outro assunto que muito desperta meu interesse, a música.

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