Publicado por: Marcio Ramos | 19/03/2010

Utopias puristas vs. objetivos de negócio

Dia desses ouvi uma expressão que não escutava desde a adolescência. Falando sobre a carreira da banda pop Black Eyed Peas, outrora um grupo sério, sem vocalista bonitona, pouquíssimo conhecido e cultuado no meio do hip-hop, me disseram que em dado momento o conjunto “se vendeu” e decidiu ganhar dinheiro.

Independente do artista em questão, penso hoje que esse tipo de ponderação pode até ser em parte válida, mas carrega muito de um viés bem bobo. Falo disso pois essas recordações tem link com o tema que tratei na semana retrasada, a música, e também com outro assunto que pretendo abordar hoje. Andei divagando sobre as diferenças entre enxergar uma balada apenas como cliente de nicho e fazê-lo com olhar de administrador.

Ao pensar estritamente como frequentador de clubes noturnos, sou capaz de fazer coro a algo presente no raciocínio levado em conta pelas pessoas que reclamam de artistas que enveredam por caminhos mais comerciais. Tal qual nessa situação, tendo a dar preferência a projetos mais puristas, clubes com determinado tipo de som, espaço, frequência, que se conectam bem com minhas expectativas e pretensões pessoais. Sou capaz de mostrar desinteresse, ou mesmo desprezo, por festas mais massificadas e popularescas.

Por outro lado, ao projetar uma visão de negócio sobre esse cenário, as coisas mudam de figura. Quando tenho em mente que toda balada é uma empresa, deixo gostos pessoais como fator de menor importância, e fico certo de que se estivesse no lugar do empreendedor não teria como objetivo agradar a um público semelhante a mim. Nesse caso, usaria minhas experiências particulares como mero suporte, buscando acima de tudo criar um projeto rentável e bem sucedido. Fosse ele uma casa de música sertaneja ou um clube de strip-tease.

Falar de artistas “vendidos” é desinteressante por soar cada vez mais uma utopia adolescente. Se merece essa nomenclatura um ator ou músico que busca sucesso financeiro, em parte também é digno dela é todo ser humano inserido em uma sociedade capitalista. Sou eu e é você leitor, que provavelmente não vive em uma ilha deserta bebendo água de coco e pescando o próprio almoço. Transpondo o conceito para utopias clubber, lembro de algumas casas noturnas incríveis que investem pesado em noites especiais, focadas em um público restrito. Ainda que minha porção baladeira louve essas iniciativas, minha persona marqueteira não pode evitar sair intrigada. Afinal, se não conheço nenhuma festa bancada por mecenas da vida noturna, me pergunto como certas contas fecham.

Como consumidor de música e baladas o que me diverte é o poético e inspirado, com um pé no refinado e outro no alternativo. Já como profissional, acho importante entre um salto e outro ter os pés estáveis em terra firme. Em meio a essas dualidades, fica ainda mais irrelevante polarizar entre definições de comercial e erudito, purista e vendido. Completo parece ser o caminho que passa por todas essas possibilidades, alternada e simultaneamente.

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