Publicado por: Marcio Ramos | 26/03/2010

Festa da firma

No começo da minha vida profissional, era comum notar ao meu redor a percepção de que festa de firma representa basicamente camuflagem para expediente estendido. Inicialmente comprei a idéia vigente e adotei o ponto de vista, enxergando a presença nesse tipo de evento mais como uma necessidade do que uma vontade. Ledo engano.

Um primeiro choque nessa forma de análise ocorreu quando entrei em contato com o mercado de eventos corporativos da Austrália, onde atuei por um ano na equipe de uma agência organizadora. Do outro lado do globo entendi melhor a aplicação do ditado work hard play harder, que apesar de ter origem britânica tem seus ecos no estilo de vida da ex-colônia. Lá percebi que, de maneira geral, os gringos são muito mais práticos e focados quando o assunto é trabalhar. Em contrapartida, encaram as horas de diversão de modo extremamente liberado. Nesse contexto é comum ver confraternizações de equipes de trabalho com convidados bebendo o tempo todo, dançando no estilo desce-até-o-chão e paquerando bastante. Do estranhamento inicial evolui para a compreensão, e comecei a achar interessante essa dissociação das posturas adotadas no escritório e fora dele.

De volta ao Brasil, a comparação deixou explicitas as diferenças culturais. Notei que a postura daqui e de lá têm ligações diretas com valores sociais mais abrangentes. O estilo dos estrangeiros é conseqüência de um grande desinteresse pela vida privada alheia somado ao foco nos resultados na hora de trabalhar, adotado como lema e não apenas da boca para fora. Ficou claro que aqui o happy hour de empresa dificilmente pode terminar em uma badalação com o despudor aussie, sob o risco de avaliações negativas que se alastram para o campo profissional.

Em contrapartida, no aprofundamento da reflexão encontrei um ponto positivo anexo a ambos cenários. Nos dois lados do globo uma boa rede de contatos continua sendo peça chave para geração e manutenção de negócios. Tanto nas festas mais animadas quanto nas mais contidas, essas oportunidades de interação podem se traduzir na dose que falta de confiança e empatia para o fechamento de um contrato ou uma promoção. Testado e comprovado.

No fim, talvez nem sempre o objetivo da festa de firma seja mesmo divertir. Há casos em que os pesos envolvidos são outros, e apenas uma avaliação mais detalhada e pessoal da situação possibilita definir se compensa comparecer. Muitas vezes, é pura hora extra. E em parte delas esse empenho é muito bem remunerado.

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