Publicado por: Marcio Ramos | 07/05/2010

Hipoconectividade

Duas semanas atrás escrevi sobre os benefícios da alta interatividade proporcionada pelas mídias sociais. Fechei o texto falando dos limites dessas conexões, e hoje retorno a esse ponto. Seria a chance de ter uma agitada vida virtual um potencializador do individualismo e do isolamento na realidade offline?

 Comecei a pensar nisso ao ler essa semana um texto interessante no site da Folha de São Paulo, (disponível para assinantes da Folha ou do UOL) que discorre sobre o grupo crescente de pessoas que, mesmo tendo a disposição baladas e opções culturais diversas, prefere ficar em casa. No decorrer da matéria, o jornalista aponta como uma possível razão para o fenômeno as facilidades acessíveis através da internet. Mais adiante, psicologos entrevistados levantam o receio de uma má performance social e o medo de interação como outros possíveis motores dessa atitude.

 Com essas reflexões levantadas pelo texto em mente, lembrei que mesmo quando há a disposição de sair da toca, não necessariamente existe o pressuposto da interação. Ao prestar atenção nas formas típicas de se dançar diferentes tipos de música, é facil ver que da valsa ao techno existe uma linha gradativa de distanciamento dos corpos. E se hoje é fácil passar a noite inteira dançando sem encostar em ninguém, em uma festa sobre a qual li já há alguns anos aqui esse isolamento físico foi às últimas consequências. Na balada ocorrida durante o encerramento da Love Parade de 2006 em Berlim, cada presente fez do seu espaço sua própria pista de dança. Todos com seus fones de ouvidos, seus iPods, suas trilhas sonoras, seus set lists. Superconectados aos próprios umbigos. Tirando a paisagem diferenciada, acho que foi como dançar na sala da própria casa.

 Talvez a médio prazo o aumento do individualismo e a facilidade de ter tudo a poucos cliques de distância confirme a diminuição da interação offline entre pessoas. Consequentemente, isso tornaria cada vez mais viável o desenvolvimento de serviços e produtos inusitados, tal qual os acima mencionados. Entretanto, acredito que quando falamos de badalação e diversão, formatos mais tradicionais estão longe de perder a representatividade. Porque curtir uma noite ouvindo a própria música no fone de ouvido ou lendo um bom livro em casa pode ser bom. Mas optar por sair da própria ilha e desbravar novos horizontes segue sendo uma forma de confirmar que alguns momentos são mais legais quando compartilhados.

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