Publicado por: Marcio Ramos | 21/05/2010

Cartão vermelho na pluralidade

Há impasses que mesmo quando não me afetam diretamente me incomodam, e nesses casos acho válido fazer o exercício de colocar-me no lugar do outro e tomar partido do lado que julgo mais correto.

Há alguns anos acompanhei o processo de “limpeza” empreendido pela associação de moradores que compreende a região dos jardins. Gradativamente foram expulsando da vizinhança bares alternativos, clubes de música eletrônica e até balada com público de perfil mais engomadinho. Sob as justificativas de redução do barulho, da violência e busca de organização, notei nas entrelinhas a intenção de reduzir na região a frequência de pessoas com estilo de vida ou classe social diferente da do morador médio do bairro.

Essa reordenação do espaço com viés segregativo subiu pelas ladeiras da região até a avenida Paulista e no ano passado bateu às portas de uma casa noturna da Bela Vista. Ao navegar por sites de música eletrônica e blogs de baladairos, me deparei com textos que comentavam a pressão da mesma associação de moradores pelo fechamento d’A Loca. Situado em um ponto tradicionalmente boêmio dentro do bairro, o clube é praticamente uma instituição do underground da cidade, dando abrigo há mais de 15 anos à uma clientela que vai do rico ao pobre, do hetero ao gay, da patricinha à drag.

O conteúdo que encontrei na internet sobre a batalha pela permanência da balada no seu endereço de origem  me direcionou para o link do abaixo assinado pedindo pela sua não expulsão, documento que me prontifiquei em assinar. Com mais de seis mil assinaturas e apoio de personalidades da noite, a petição fez barulho. Em meio à discussão, chegaram a surgir acusações de procedimentos irregulares de ambos lados até que o veredito final fosse dado. Por fim, ficou definido que a casa poderia ficar onde está.

Ainda que não possa me incluir entre os frequentadores d’A Loca, fiquei bastante feliz e satisfeito. Por que? Penso que quanto mais liberdade outras tribos tiverem para se expressar e viver em paz seus estilos de vida, mais assegurado estará também o meu direito à individualidade. E dele não abro mão.

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